sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Real

Hoje teria sido mais um dia comum, senão fosse o fato do GPS ter me jogado em uma rota que me fez chegar exatamente ao local em que ficamos pela primeira vez. Sei lá, há alguns anos terminamos, você refez sua vida, foi atrás dos seus sonhos, eu dos meus e o término brutal se encarregou de não deixar que tivéssemos contato. Mas no momento em que me deparei na rua daquele sítio, um turbilhão de lembranças me atormentaram e eu percebi que mesmos os anos tendo passado, muita coisa não havia mudado em mim com relação ao que fomos.

Nossa! Em 10 ou 15 minutos em que fiquei parada ali, me recompondo do susto, lembrei-me de tanta coisa, da nossa história, da aventura adolescente, das saídas da faculdade, do Aterro do Flamengo, do Arpoador, da Ponte Rio Niterói, das loucuras na Avenida Brasil e como não lembrar a praia do Leme. Tudo foi tão intenso, tão real, tão verdadeiro.  Apesar de saber exatamente os motivos que nos levaram ao final da relação, se eu pensar apenas no sentimento, no sexo e no prazer, ainda me pergunto como deixamos chegar ao final.
Será que algum de nós pode negar que éramos incríveis juntos? Quem de nós dois pode dizer que não foi tão intrínseco que palavras faltam para definir o sentíamos?
Curioso mesmo é entender o porquê eu nunca escrevi sobre essa relação, nunca coloquei para fora esse mar de sentimentos revoltos que guardo tanto tempo dentro de mim. Talvez eu não tenha escrito por você ter existido de verdade, por você ter feito parte da minha vida, por você ter sido o homem que eu achei perfeito para mim um dia.
Eu nunca soube lidar com o fracasso, talvez nunca aprenda, e com você eu mais que fracassei, eu perdi para mim mesma. É, eu não posso dizer que a culpa foi só sua, pois não foi e nunca será só sua. Eu errei, menti, enlouqueci tanto quanto você. Na tentativa de preservar o que tínhamos de melhor, deixamos nossos defeitos tão intensos quanto nossas qualidades enquanto um casal. No desejo insano de perpetuar o prazer e fazer com que aquilo fosse cada vez melhor, nos podamos, limitamos e calamos diante de situações e coisas que não podiam ser deixadas para trás ou as escuras.
Não sei ao certo o que sinto hoje, mas tenho a certeza de que ter você de volta não taparia esse vazio dentro de mim, não calaria esse desejo por sentir algo parecido novamente, não saciaria a necessidade de achar um encaixe tão perfeito quanto o nosso.
Será possível um homem e uma mulher serem tão completos e tão diferentes ao mesmo tempo?

Às vezes acho que o que vivemos foi um delírio da minha cabeça, mas a vida me mostra o contrário. Fotos, vídeos, amigos, tudo o tempo todo me mostra que foi real, e o pior, que eu sinto falta de  viver naquele ritmo.
Não sinto falta de você, sinto falta do que sentíamos. Será que existe algo melhor do que aquilo? Será que sou eu que não me permito sentir tudo novamente? Será que foi só uma relação imatura que marcou demais?
Certa vez ouvi que as palavras “e” e “se” separadas não causavam muito impacto, mas se juntarmos e encontrarmos na frase um “e se” devíamos ficar preocupados, pois o “e se” é o atestado de que você deveria ter feito algo e não vez, e essa dúvida poderá te atormentar por muito tempo, senão toda a vida.
Com você não houve “e se”, fiz tudo que podia e não devia fazer. Arrisquei mais do que eu podia aguentar e perdi mais do que eu estava disposta a perder. Porém, sou imensamente grata por me apresentar sentimentos e sensações que, até então, eu nunca tinha vivido. Sou grata por me mostrar que os meus sonhos são mais reais do que eu penso. Sou grata, principalmente, por me expor exatamente tudo aquilo que eu não quero ser. É, porque se eu amasse de fato você e não o que nos tínhamos juntos, eu teria ficado naquela relação doentia. Com você eu acertei o ponto, mas errei o passo. Encaixei na cama e tropecei no dia-a-dia. Construí uma casa, mas esqueci de fazer os muros para cercá-la....

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